Quando uma empresa decide migrar seus sistemas para a AWS, a primeira pergunta técnica que surge não é "como", e sim "de que jeito". Nem todo sistema deveria ser movido da mesma forma — um servidor de arquivos antigo, um ERP crítico e uma aplicação já moderna pedem abordagens diferentes. Para organizar essa decisão, a AWS consolidou um framework conhecido como os 7 Rs da migração.
O modelo nasceu de uma versão mais simples: em 2010, a consultoria Gartner propôs os "5 Rs" como forma de categorizar migrações para nuvem. A própria AWS expandiu esse modelo ao longo do tempo — acrescentando a estratégia Retire em 2016 e Retain em 2017 — até chegar aos sete caminhos possíveis usados hoje em qualquer avaliação de portfólio de aplicações antes de uma migração.
As 7 estratégias, uma a uma
1. Rehost (lift and shift)
É o caminho mais direto: mover a aplicação para a AWS praticamente sem alterações, recriando o mesmo servidor como uma instância Amazon EC2. Não otimiza nada automaticamente, mas costuma ser o mais rápido e o de menor risco técnico — e cria a base para otimizar depois, já dentro da nuvem.
2. Replatform (lift, tinker and shift)
Um passo além do rehost: a aplicação vai para a nuvem com pequenos ajustes que já trazem ganhos, sem reescrever o núcleo do sistema. O exemplo mais comum é migrar um banco de dados que rodava em um servidor próprio para um serviço gerenciado, como o Amazon RDS.
3. Repurchase (drop and shop)
Em vez de migrar o sistema, a empresa troca de produto — geralmente saindo de uma licença tradicional para um modelo SaaS equivalente. Um exemplo clássico é abandonar um CRM local em favor de uma plataforma como Salesforce.
4. Refactor / Re-architect
A estratégia mais profunda: a aplicação é redesenhada para explorar recursos nativos da nuvem — containers, funções serverless, bancos de dados gerenciados especializados. É a que exige mais tempo e investimento, mas também a que costuma trazer o maior ganho de agilidade no longo prazo. A própria AWS recomenda não usar refactor em migrações grandes logo de início — o ideal é rehost ou replatform primeiro, e modernizar depois.
5. Relocate
Específico para ambientes VMware: move as máquinas virtuais para a AWS sem alterar a aplicação, o sistema operacional ou a camada de virtualização. A equipe continua usando as mesmas ferramentas de gestão, como o vCenter.
6. Retain
Nem todo sistema precisa migrar agora. Aplicações com forte dependência de hardware local ou que exigiriam um refactor caro demais podem simplesmente continuar onde estão — por enquanto. Retain é uma decisão de adiar, não de nunca migrar.
7. Retire
Todo levantamento de sistemas revela aplicações que ninguém usa mais, mas que continuam consumindo licença, servidor e atenção da equipe de TI. Desligar esses sistemas antes mesmo de começar a migração já gera economia imediata.
Como escolher a estratégia certa
Na prática, migrações não usam apenas um "R" — a maioria das empresas combina três a cinco estratégias diferentes dentro do mesmo portfólio. A decisão para cada aplicação passa por perguntas como:
- Viabilidade técnica: o sistema tem alguma incompatibilidade que impede movê-lo como está?
- Valor para o negócio: migrar essa aplicação vai gerar ganho real, ou ela seria melhor aposentada?
- Urgência: existe um prazo apertado que empurra para um rehost mais rápido?
- Time disponível: a equipe tem capacidade para um refactor, ou faz mais sentido replatform primeiro?
Esse mapeamento — decidir qual R se aplica a cada sistema — é exatamente o que compõe um assessment de migração, feito antes de qualquer movimentação real de dados.
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Fazer o assessment gratuitoFontes: AWS Prescriptive Guidance — Migration strategies e AWS Prescriptive Guidance — Paths to the cloud.